Autor: Ana Pimentel in Observador.pt 2/11/2014

“Mais tempo houvesse”, dizem Carlos Rosário, 59, e Jaime Sotto-Mayor, 55. A frase chega quando o Observador lhes pergunta se estão 100% dedicados à empresa que estão a apresentar no Business Booster, a IsGreen. A resposta é afirmativa e cúmplice, mas também serena. Não é a primeira vez que Carlos Rosário lança um negócio. Jaime Sotto-Mayor conta que o sócio “é um empreendedor” e que já lançou várias empresas na área do software. Foram 35 anos na área da engenharia de telecomunicações, a trabalhar em empresas no Brasil, Estados Unidos da América ou em França e acabou por terminar a carreira na Sogeti. Quando saiu, não sabia o que ia fazer. Estava a avaliar as hipóteses. Até ao dia em que se encontrou com Jaime Sotto-Mayor, geofísico, e decidiram avançar com um produto que ajudasse a gerir a energia.

“A tecnologia estava a evoluir, os algoritmos também e chegámos à conclusão que era a altura certa [para lançar a IsGreen]” explica Jaime Sotto-Mayor. E o que é a IsGreen? Uma tecnologia que desenvolve e comercializa soluções capazes de gerir de forma inteligente a iluminação de qualquer edifício, revela, no stand em que promovem a startup que lançaram há quatro anos. Pelo caminho, uma mudança na trajetória, mas não se arrependem. Agora, querem ajudar as empresas a gerir de forma adequada a iluminação, poupando, sem interferir com as áreas de trabalho do edifício. A gestão da iluminação recorre a sensores, que analisam como é que o edifício funciona.

 

Carlos Rosário, Hugo Silva e Jaime Sotto-Mayor, estiveram na IsGreen à procura de parcerias

O investimento na empresa já ronda os 300 mil euros, suportado com capitais próprios e com o apoio de uma capital de risco. No Business Booster, estão à procura de “uma coisa completamente diferente”: parceiros, sobretudo comerciais. “Estamos a expandir para fora de Portugal e consideramos que é importante termos parceiros locais que possam ajudar-nos a posicionarmo-nos nesses locais. Esse é um dos motivos pelos quais estamos aqui”, contam, revelando que já tinham sido contactados, no evento, por players da Polónia e do norte da Europa.

Em Espanha, a IsGreen já tem “um pé” e os fundadores não põem de parte a hipótese de a empresa avançar para outros países, como o Chile, mercado que consideram estar “em forte crescimento” e apresentar alguma sustentabilidade. Sobre Portugal, dizem que as empresas estão recetivas, mas que precisam de parceiros financeiros que apoiem o investimento. “Nós garantimos-lhes poupança. Ganhamos todos”, revelam.

Em 2011, a IsGreen venceu o primeiro prémio, na classe “Energia”, do concurso de inovação e empreendedorismo de base tecnológica ISCTE-IUL MIT-Portugal Venture Competition, que é realizado em parceria com o Massachusetts Institute of Technology (MIT). Jaime Sotto-Mayor revela que na base da empresa está uma plataforma tecnológica, que pode ter várias utilizações. “Para já, estamos focados na iluminação e é esse o mercado que estamos a explorar, o que não quer dizer…”. Silêncio. Para depois retomar: “A plataforma existe, ela pode ser aplicável. Se seremos nós a utilizá-la ou se vamos licenciá-la a terceiros, ainda não sabemos”, acrescenta. A IsGreen é uma das startupsque está incubada na EDP Starter, incubadora para empresas da elétrica nacional.

“A plataforma existe, ela pode ser aplicável. Se seremos nós a utilizá-la ou se vamos licenciá-la a terceiros, ainda não sabemos”

Jaime Sotto-Mayor